A banda Virgin Black surgiu em meados de 1995 na Austrália, quando então, Rowan London (vocais, piano e teclados), assiste a alguns ensaios da banda em que Samantha Escarbe (guitarra), tocava Death Metal. Ele então a convida para formarem o Virgin Black. São incorporados a banda Craig Edis (guitarra, vocal), Ian Miller (baixo, vocal) e Dino Cielo (bateria). Logo em seguida é gravada a primeira Demo, intitulada apenas Virgin Black. A demo supera as expectativas e acaba sendo largamente vendida.

O significado do nome da banda pode ser entendido pelas palavras de Samantha: "Virgin/Black, um contraste de pureza e esperança contra a noite escura da alma e desesperança. A possibilidade anômala dos opostos existindo como um."

Com elementos bastante melancólicos, suas composições flutuam entre o Doom e Gothic Metal, em temas, muitas vezes cristãos, que remetem a reflexão, sofrimento, depressão e pessimismo. A sonoridade cativante de instrumentações clássicas com violoncelos, violinos e vocais em coro, originam andamentos arrastados, tristes e densos, que algumas vezes contrastam com o peso das guitarras e vocais guturais, dando um ar épico e sombrio. As letras compostas basicamente por Rowan e Samantha, possuem um lado reflexivo e expressivo sobre a alma humana e o sentido da vida.

Apesar de ser largamente difundido que o Virgin Black se trata de uma banda de metal cristão (white metal), os integrantes refutam tal idéia. Os onipresentes elementos oriundos de diversas derivações da religião católica são usados apenas como referências. Em uma de suas entrevistas Rowan afirma que um dos principais elementos por trás da música da banda é o "abuso" da igreja com relação aos seus fiéis.

Após a promissora Demo, em 1998, a banda lança o EP Trance, com elementos experimentais, e aspectos mais clássicos e industriais.

Assim, em 2001 a banda lança seu primeiro álbum, Sombre Romantic, assinando com a gravadora "Massacre Records" para a Europa e "The End Records" para os EUA. Nesse trabalho obscuro e melancólico as primeiras três faixas Stare, Embrace e Walk Without Limbs, vão do mais clássico, sentimental e climático, ao puro Death/Black Metal. Destaque também para a faixa Museum of Iscariot, que possui poucos elementos extremos e grande riqueza de arranjos, melodias e solos, sendo a mais longa do álbum. Ainda a bela A Poet´s Tear of Porcelain fecha a obra de forma fantástica, profunda e hipnotizante.

Em seguida, a banda lança em 2003, o álbum Elegant... and Dying, distribuído no Brasil pela Silent Music Records. O trabalho revela uma grande aposta no lado instrumental, com ênfases em arranjos sinfônicos, densas passagens de guitarra que assumem um importante papel em praticamente todas as músicas, e se contrapõem, por vezes, às sutis incursões de teclado. Isso é perceptível logo nas duas primeiras faixas, Adorned In Ashes e Velvet Tongue. As poucas variações das melodias contribuem para realçar a sensação de mergulhar numa atmosfera "acinzentada" e bastante desacelerada, principalmente em músicas como Beloved e Renaissance, que aparentando ser um poema, revela os últimos suspiros de uma pessoa que traz consigo, reflexões e sentimentos de uma alma maculada por tormentos, mas também um sentimento de plenitude, paz e aceitação da morte, com os dizeres Ella mo fare rifare (Tudo está perdido menos a esperança) no final. A última faixa Our Wings Are Burning, resume bem toda a atmosfera lancinante que perpassa o álbum inteiro. Seu intenso clima apático é preenchido por cadenciadas notas tiradas no teclado e na bateria, urros e novamente um trabalho de guitarras marcando forte presença. Essa música acaba dando origem ao primeiro videoclipe da banda.

Logo em seguida a banda parte para uma turnê pelos Estados Unidos, e também participa de um festival na Alemanha, tocando ao lado de bandas de renome como Paradise Lost e Tiamat.

Após quatro anos, o Virgin Black reaparece com uma obra inesperada e ambiciosa. Trata-se de uma trilogia chamada Requiem. Os álbuns são intitulados de Requiem: Pianissimo, Requiem: Mezzo Forte e Requiem: Fortissimo. Os títulos são uma clara alusão às anotações em peças de música erudita que servem para descrever várias características da música, como ritmo, por exemplo. No geral eram escritas para alguém que morreu, como um "ritual funéreo".

Requiem: Pianissimo utiliza-se somente de instrumentos da música erudita, como violino, violoncelo, piano, além de um coral. O segundo álbum, Requiem: Mezzo Forte, também usa estes instrumentos mas incorpora guitarra, bateria e baixo. Finalizando a trilogia, Requiem: Fortissimo deixa de lado os instrumentos de música erudita e concentra-se somente no vocal, guitarra, baixo, bateria e teclado. Um dos objetivos é que se toquem os três álbuns em sequência, o que possibilitará uma clara compreensão da evolução de intensidade.

Antes de começarem as gravações simultâneas dos álbuns o vocalista Rowan London procura o cantor Agim Hushim, que teve o mesmo professor de Luciano Pavarotti. Logo na primeira audição o professor de música erudita fica impressionado com a voz de Rowan e imediatamente aceita ensinar-lhe técnicas vocais.

O primeiro álbum a chegar às lojas em 2007, é o segundo da trilogia, Requiem: Mezzo Forte. Contando com a presença da orquestra Sinfônica de Adelaide, o álbum é muito bem trabalhado nos vocais soturnos, nas orquestrações e em suas letras, proporcionando um som fúnebre e relaxante.

Em 2008 é lançado o álbum Réquiem: Fortíssimo, o último e mais pesado da trilogia. Embora com a mesma melancolia e tristeza intrínsecas à banda, os arranjos leves e acolhedores dão lugar a um peso bastante carregado, com uma atmosfera letárgica e quase palpável. As guitarras e os vocais guturais são predominantes no trabalho, lembrando bandas dos primórdios do Doom Metal. Já nesse álbum da trilogia é possível notar que a banda consegue atingir o objetivo que tinha em mente, demonstrando a diferença de intensidade entre os álbuns, já que se tem a nítida impressão de estar escutando o Mezzo Forte numa versão mais crua e pesada.

O álbum Réquiem: Pianíssimo, primeira sequência da trilogia, ainda não tem uma data definida para o lançamento, mais cogita-se que deva ser no final de 2010.

Dessa forma, com grandes composições, talento técnico e conhecimento musical profundo, o Virgin Black vem se tornando um ícone da inovação do Doom Metal, aliando elementos clássicos com experimentos impressionantemente bem elaborados.

 

Por Spectrum

 


 

 

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