Formada no final dos anos 80 e início dos anos 90, em Munique, Alemanha, a banda Haggard traz uma carreira sólida e muito bem conceituada na cena do metal europeu. Porém, desde seus primeiros anos, quando seu trabalho ainda era pouco conhecido, até alcançar os álbuns mais bem sucedidos e conquistar notoriedade entre a crítica e o público, a banda atravessou um longo período de mudanças em sua formação, sonoridade e temas abordados.

As primeiras demos surgiram nestes momentos iniciais: Introduction (1992) e Progressive (1993). Uma musicalidade agressiva e muito próxima do Death Metal com alguns momentos lembrando o Doom Metal eram a tônica destes trabalhos que não obtiveram uma grande repercussão.

Já em 1995 a banda apresenta a demo Once... Upon a December’s Dawn. Aqui já se nota uma instrumentação clássica combinada com os elementos característicos do Metal, influências Folk e referências da musica medieval. A esta altura, já trazia em sua formação oficial músicos eruditos com cordas, piano e sopranos. Foi através deste disco que o Haggard assumiu uma nova postura musical que não seria abandonada e se tornaria a guia para toda a continuidade de sua carreira. Este disco também rendeu a primeira turnê e a oportunidade de expor seu trabalho ao grande público.

O primeiro álbum de estúdio foi lançado apenas em dezembro de 1997 pela "Serenade Records". Liderado pelo vocalista, compositor e instrumentista iraniano Asis Nasseri, And thou shalt trust... the seer registra definitivamente os novos rumos sinfônicos que a banda adotou. Conceitual, com faixas divididas como "capítulos" e uma sonoridade medieval-renascentista, And thou shalt trust... the seer foi a chave do Haggard para conquistar a crítica musical e surgir para o grande público, com mais de onze mil cópias vendidas. Um dos destaques é a faixa Chapter 5: Lost (Robin's Song). No mesmo momento, o website da banda é publicado.

Em 1998, a banda segue em turnê com o Atrocity e Tristania pela Áustria, Suíça e Alemanha. Ainda, é lançado o VHS In A Pale Moon's Shadow com trechos de apresentações ao vivo. Em fevereiro de 2000 é lançado o segundo disco oficial: Awaking The Centuries.

Na mesma linha musical de And thou shalt trust... the seer, Awaking The Centuries aborda as profecias de Nostradamus em suas composições e letras em latim, inglês e alemão. As locuções das faixas Pestilência e Statement Zur Lage Der Musica ajudam a entrelaçar a proposta temática. Enquanto faixas como Chapter II: The Final Victory, Chapter IV: In A Fullmoon Procession e a faixa que dá nome ao álbum (Chapter III: Awaking The Centuries, que traz uma rica instrumentação e um arranjo sofisticado ao longo de mais de nove minutos) são os destaques deste trabalho.

No ano seguinte, ainda embalada pela ótima recepção do disco anterior, a banda vai ao México e grava ao vivo o álbum Awaking the Gods, que é praticamente uma versão live de Awaking The Centuries. Esta apresentação também é lançada em VHS e DVD e ajuda a popularizar a banda além do cenário europeu.

O ano de 2004 marcou o lançamento do terceiro álbum oficial. Eppur si Muove (Ainda se Move) dá continuidade ao padrão conceitual e sinfônico dos trabalhos anteriores. Contando, a esta altura, com dezesseis músicos na formação oficial e dez convidados, as dez faixas e citações em inglês, alemão, latim e italiano, abordam a perspectiva científica de Galileu Galilei e a oposição clerical as suas idéias, em meio aos arranjos densos de cordas, corais e guitarras. Trechos das apresentações ao vivo da banda foram reunidos e lançados em um DVD.

A esta altura, Eppur si Muove já havia solidificado o Haggard entre o público e a crítica européia. As turnês se proliferavam à mesma proporção que a popularidade crescia. Neste momento, já se iniciam rumores e expectativas sobre um novo álbum.

Tales of Ithiria é o disco mais recente da banda. Gravado por vinte músicos da formação atual e mais nove instrumentistas convidados, lançado em fevereiro de 2009, o álbum traz onze músicas que, como de costume, abordam um tema específico. Porém, desta vez, o tema é uma fantasia criada pelo próprio compositor Asis Nasseri. Ithiria é o nome do mundo imaginário que serve como pano de fundo para as lembranças de batalha do personagem principal.

Asis Nasseri, comentando a temática de Tales of Ithiria, declarou "tenho que admitir que deixei a história com um peso no coração"; e ainda "eu me interesso muito por história e há uma variedade de temas que gostaria de ter abordado, mas as histórias tornaram-se um tema comum ao Haggard"; justificando a opção de um tema fictício como tônica do álbum.

Além dos álbuns que registram a ascensão e consolidam o Haggard no cenário metal, diversas participações em festivais e turnês pela América Latina e Europa elevaram o nome da banda ao longo de quase duas décadas de trajetória.

Apesar de apostar na fórmula consagrada do metal combinado com referências clássicas e folk, além dos tradicionais álbuns conceituais, o Haggard conquistou espaço com uma musicalidade autêntica e sofisticada, utilizando instrumentos clássicos executados por músicos eruditos; ou seja, sem fazer uso de sintetizadores e recursos de estúdio; obtendo assim um resultado mais fiel à proposta e merecedor do reconhecimento que tem.

 

Por Spectrum

 


 

 

Downloads Disponíveis: