Os chamados "projetos paralelos" não são raros no universo do Metal; ou seja, integrantes de bandas consagradas desenvolvem simultaneamente carreiras (de modo solo ou com parcerias) distintas de sua principal atividade musical. Também são comuns as variações de estilos musicais, mas que, de certa forma, trazem uma conexão entre si. A banda austríaca Dargaard é um bom exemplo.

Fundada em 1997 pelo músico Tharen (ex integrante das bandas de Black Metal Abigor e Amestigon) e com a participação de Elisabeth Toriser (ex integrante de Abigor e Antichrisis), o Dargaard (nome que faz referência a uma região amaldiçoada imersa em trevas da série de livros de fantasia DragonLance) trazia uma proposta musical bem diferenciada do Black Metal. Algo que pode ser (de um modo bastante amplo) considerado como Dark Ambient/Atmospheric; ou Darkwave, Neoclas-sical, Ethereal e até mesmo Gothic ou Folk.

O som apresentado pela banda é composto por cordas (como harpas e violinos), piano, instru-mentos de sopro (flautas), timbres eletrônicos, teclados atmosféricos e percussões primitivas. No entanto, toda a sonoridade é obtida através do sintetizador de Tharen; sem que haja a utilização destes instrumentos propriamente ditos. E, para completar, a voz suave de Elisabeth, pontuada por participações dos vocais de Tharen.

As letras em latim e inglês, compostas pelo próprio Tharen ou obras musicadas do poeta lírico Quintus Horatius Flaco (65 – 8 a.C), abordam temas místicos, existenciais e intimistas; além de diversas citações à culturas antigas. Este conjunto proporciona uma orquestração suave, eventualmente agressiva e dramática, com referências medievais e folclóricas, criando ambientes místicos e introspectivos ao ouvinte.

O próprio Tharen assume que nenhuma outra banda influencia a musicalidade do Dargaard. No entanto, a descreve como "canções que radiam um tipo de beleza (...). É sobre meu próprio reino, e este reino consiste em forças escuras, magia, misticismo e trevas (...); isto tem sua própria beleza".

Desse modo e com esta proposta, o primeiro trabalho foi gravado nos estúdios Hoernix (Áustria) e lançado pela Napalm Records em outubro de 1998. Eternity Rites traz dez faixas em pouco mais de quarenta e sete minutos. Neste trabalho destaca-se Demon Eyes, Of Broken Stones e Seelenlos. Este disco de estreia agradou muito a crítica especializada chegando a ser classificado como majestoso, agressivo, obscuro e melancólico.

Entre 1998 e 1999, a banda deu continuidade ao processo criativo de composições e iniciou o trabalho de gravação do segundo disco. Lançado em junho de 2000, gravado, mixado e masterizado por Georg Hrauda e Tharen no estúdio Hoernix, In Nomine Aeternitatis se estende por mais de cinqüenta minutos e divide-se em onze faixas. The Infinite traz um arranjo grandioso com sobreposição de teclados e a voz de Elizabeth levando o ouvinte a uma viagem surreal. Enquanto The March of the Shadows é um instrumental repetitivo e melancólico.

In Nomine Aeternitatis é uma sequência do trabalho anterior, com arranjos e letras de temática semelhante. No entanto, não soa repetitivo. Pelo contrário, acrescenta e fortalece a identidade musical do Dargaard.

No mesmo período, entre 1999 e 2000, a dupla Elizabeth e Tharen já preparava material para o terceiro trabalho. Assim, The Dissolution of Eternity foi lançado em 2001 e completa a trilogia iniciada em 1998 com Eternity Rites.

O terceiro disco da banda traz dez faixas e soa mais diversificado que os álbuns anteriores. My Phantasm Supreme desperta tensão no ouvinte; enquanto A Prophecy of Immortality (letra de Quintus Horatius Flaco), traz um arranjo suave que se intensifica no decorrer da música.

Após um período sem novidades, o Dargaard retorna aos estúdios para a gravação do quarto álbum de sua carreira. Lançado em março de 2004, Rise and Fall traz nove faixas que se estendem por quase uma hora de melancolia e misticismo. Além da faixa homônima, destaca-se também Bearer of the Flame, Niobe e a faixa instrumental, bastante percussiva Takhisis Dance. Ainda, Rise and Fall foi considerado o álbum do mês pela crítica especializada Orkus e Sonic Seducer.

Além destes álbuns oficiais, o Dargaard também integrou algumas coletâneas produzidas com bandas como Trail of Tears e The Sins of Thy Beloved. Entretanto, uma característica interessante de sua carreira, é que o Dargaard, mesmo tendo um ótimo reconhecimento dentro da cena Dark Ambient/Atmospheric, não faz apresentações ao vivo. Isto porque, segundo Tharen, não seria possível recriar a mesma atmosfera produzida em estúdio.

Atualmente, há apenas boatos sobre um novo álbum. Em fóruns da Internet e no perfil do Myspace, o próprio Tharen não fornece com exatidão qualquer informação a respeito de um novo trabalho. Desse modo, resta aos ouvintes aguardarem as novidades e, por enquanto, ouvir e "decifrar" a magia do Dargaard.

 

Por Spectrum

 


 

 

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