Uma sonoridade que combina elementos da música clássica e medieval com timbres mais suaves de strings de sintetizadores e teclados, uma percussão quase inexistente mas com uma pulsação rítmica que pode ser confundida com algumas variações do Metal, como o Doom Metal.

Assim pode ser descrita a proposta musical do Artesia, uma banda francesa pouco conhecida do grande público. Até mesmo porque seu estilo é algo próximo do ethereal ou Dark Atmospheric: um estilo apreciado apenas por ouvintes dos circuitos underground da música experimental, que encontra pouquíssima aceitação no "mainstream".

Assim, inspirada no som de bandas como Dark Sanctuary e Arcana, trilhas sonoras e música celta; bem como ambientações naturais como bosques e florestas; e sentimentos como melancolia e tristeza, que a jovem violinista francesa Agathe, em 2001, deu início à trajetória do Artesia.

O nome Artesia, escolhido pela própria Agathe, é uma referência ao personagem Robert d’Artois, da saga medieval Reis Malditos (les Rois Maudits) do escritor francês Maurice Druon. Num primeiro momento, Agathe, de forma solitária, compunha e arranjava as músicas do álbum de estréia. Apenas dois anos mais tarde, precisamente em junho de 2003, foi ao estúdio para finalmente gravar o trabalho intitulado l'Eveil de l'Ame, com apenas trinta e oito minutos de duração divididos em oito faixas. Porém, devido à baixa qualidade técnica do resultado, Agathe optou por não divulgá-lo entre as gravadoras.

Apenas três meses depois, outra jovem violinista chamada Gaëlle passou a trabalhar juntamente com Agathe. Assim, o Artesia começava a se delinear como uma banda e não apenas como um projeto musical solitário.

Em setembro de 2004, um novo trabalho já estava sendo gravado pelas jovens. Uma demo chamada l'Aube Morne, que contou com a participação do músico Loïc Cellier e trouxe cinco faixas em aproximadamente vinte minutos de duração. As músicas Tristesse e Lassitude são a tônica: sonoridades distantes e melancólicas criam um ambiente surreal e intimista.

Mesmo produzido de forma independente e com poucos recursos técnicos, l'Aube Morne obteve uma ótima repercussão entre a crítica. Amplamente divulgado e comentado em revistas e publicações especializadas, muitas destas voltadas para o público "headbanger", ganhou elogios e chegou a ser classificado como magnífico e sublime.

Mas após o impacto de l'Aube Morne, Agathe e Gaëlle tinham pela frente o desafio de, no mínimo, manter o nível musical para o álbum seguinte. Assim, em setembro de 2005, as jovens voltaram ao estúdio e, novamente contando com a participação de Loïc, deram início às gravações. Em dezembro, foi assinado um contrato com a gravadora francesa Prikosnovenie, especializada em World Music.

Hilvern foi lançado em fevereiro de 2006 e é considerado o primeiro álbum oficial de sua discografia. São dez faixas, sendo quatro instrumentais, que se estendem por quarenta minutos. O mesmo clima romântico e surreal criado nos trabalhos anteriores se faz presente em Hilvern. Rencontre Avec La Dame é uma ótima referência deste trabalho: uma linha grave de piano desenha a rítmica enquanto timbres atmosféricos e as vozes compõem uma melodia suave que leva o ouvinte a uma viagem noturna e inebriante. As letras, todas em francês, parecem ter sido inspiradas em antigos poemas românticos e ajudam a mitificar ainda mais o clima.

Hilvern foi lançado em um digipack limitado em apenas cem cópias. E, mais uma vez, o impacto entre a mídia especializada foi extremamente positivo e consagrou as jovens Agathe e Gaëlle como uma agradável e surpreendente realidade da música ethereal francesa.

As composições para um próximo álbum começaram a ser escritas e adaptadas nos meses seguintes. Em janeiro de 2007, Agathe e Gaëlle, auxiliadas mais uma vez por Loïc, retornam aos estúdios para as gravações. Em abril está tudo pronto. Em junho é lançado Chants d'Automne.

O novo trabalho traz onze faixas que se estendem por pouco mais de quarenta e cinco minutos. Chants d'Automne soa como uma continuidade de Hilvern. O clima sombrio e melancólico é predominante, mas não repetitivo. Apenas consolida a proposta do Artesia e, novamente, recebe críticas elogiosas de publicações especializadas.

Já em 2008, infelizmente, Gaëlle abandona a formação alegando motivos pessoais. Agathe continua seu trabalho de forma solitária e, novamente, o Artesia torna-se uma "banda de uma mulher só". Porém, Loïc Cellier, que já acompanhava as gravações em estúdio e auxiliava na mixagem e instrumentação, passa a compor oficialmente a formação com Agathe. Coralie, outra jovem violinista, junta-se à Agathe e Loïc. Assim, são iniciadas as preparações para o terceiro álbum oficial.

Llydaw foi gravado no outono de 2008 e lançado em fevereiro de 2009. O álbum traz oito faixas em pouco mais de quarenta minutos. Novamente os timbres atmosféricos se espalham pela harmonia enquanto vozes e violinos traçam melodias sutis. Violão e percussão também se mostram mais presentes do que nos trabalhos anteriores. Uma novidade de Llidaw é que a arte gráfica da capa e de todo o encarte é uma ilustração feita pela artista italiana Scarlet Gothica.

Em setembro, Gaëlle anuncia seu retorno à banda enquanto Coralie, que participou das gravações de Llydaw deixa o Artesia.

Um fato interessante é que a banda nunca fez qualquer apresentação ao vivo. Segundo Agathe, há um grande desejo de promover apresentações em público. Mas não há condições técnicas de equipe e músicos. Ainda, Agathe assume não se sentir segura para um show ao vivo.

Atualmente, a formação conta com Agathe, Gaëlle e Loïc Cellier Há rumores de que um novo álbum está sendo elaborado. Enquanto nenhuma novidade é oficializada, os apreciadores da Ethereal Music podem deixar-se levar pelas sonoridades poéticas do Artesia.

 

Por Spectrum

 


 

 

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