Nos contos de fada, os príncipes e princesas às vezes morriam de tristeza, agora os pesquisadores revelam que pode haver um fundo de verdade nesse velho mito. Um estudo publicado no jornal, descobriu um elo entre a depressão e a doença do coração, ligação que tem sido "cada vez mais reconhecida", de acordo com o cardiologista Stevem Manoukian.

As pessoas com sintomas depressivos habituais são mais propensas a sofrer um ataque cardíaco, segundo as conclusões de um estudo publicado em Circulation. Num trabalho multicêntrico de seis anos de duração com pessoas maiores de 65 anos, as quais, no início da pesquisa não haviam tido nenhum problema cardíaco, os autores detectaram que aqueles que informaram ter mais sintomas depressivos foram 40% mais propensos a sofrer um ataque cardíaco que aqueles que se sentiam deprimidos menos freqüentemente.

Um total de 4.493 idosos participou do estudo, todos eles inicialmente sem problemas cardíacos. Essas pessoas foram avaliadas anualmente, conforme seu estado de ânimo, segundo uma escala de depressão. Os investigadores concluíram que as mulheres teriam mais sintomas depressivos que os homens. As pessoas casadas, aquelas que não viviam sós, teriam menos pontuação na escala de depressão.

Segundo Curt Furberg, professor de Ciências da Saúde Pública na Universidade Wake Forest, na Carolina do Norte, "este estudo estabelece que os sintomas da depressão são um fator de risco, independente da presença prévia de doenças coronarianas, em pessoas idosas. Isso não significa que os sintomas depressivos causem doenças coronarianas, mas sua presença prediz a enfermidade".

Por outro lado, os que mais pontuação tiveram eram os fumantes, os que teriam impedimentos físicos para desenvolver atividades cotidianas, os que estavam inativos e os que sofriam de obesidade. Furberg encontra três explicações para a relação dessas duas patologias: depressão associada à escassa atividade física devido ao desânimo, estado depressivo que aumenta o estresse emocional e, por último, aumento da produção de radicais livres e ácidos graxos como conseqüência da depressão.

 

Circulation - American Heart Association